Tensão Alta: O que fazer?
A hipertensão arterial – ou tensão alta, como costuma ser chamada – é uma doença crónica caracterizada por valores persistentemente elevados de pressão arterial. Figura entre os fatores de risco modificáveis mais imprtes para AVC, enfarte do miocárdio, insuficiência cardíaca, doença renal crónica e morte prematura. Se, na maioria dos casos, não provoca sintomas evidentes, a verdade é que pode evoluir ao longo dos anos e causar lesões no coração, cérebro, rins e vasos sanguíneos antes de ser diagnosticado. Neste artigo, vai encontrar o mais importante sobre a tensão alta.
Resposta rápida:
Em adultos, considera-se hipertensão arterial uma pressão medida no consultório igual ou superior a 140/90 mmHg, desde que o valor seja confirmado. Nas medições domiciliárias, o limiar médio é 135/85 mmHg. Uma medição isolada, por si só, não permite estabelecer o diagnóstico de forma conclusiva.
A pressão arterial, por seu turno, é a força que o sangue faz sobre as paredes das artérias, durante a sua circulação, resultando na medida máxima (pressão sistólica, quando o coração se contrai para bombear o sangue) e da medida mínima (pressão diastólica, quando o coração relaxa em cada batimento)
Fonte: Norma DGS n.º 001/2026
A tensão alta é frequente?
A hipertensão arterial é mesmo frequente: em Portugal, estima-se que a prevalência ronde os 43,1% da população adulta. De entre os doentes com hipertensão arterial, 69,9% estão medicados com fármacos hipertensores e apenas 45,9% estão controlados. [Fonte: e_Cor]
Quantos tipos de hipertensão arterial existem?
Existem dois tipos de hipertensão pressão arterial:
- Essencial: Quando não é conhecida a causa. Mesmo nestas situações, fatores como o consumo excessivo de sal, obesidade, envelhecimento e o stress emocional podem facilitar o aumento da pressão arterial;
- Secundária: quando é possível identificar uma causa que poderá ser tratada com uma intervenção específica dirigida.
Qual o risco da tensão alta?
A bem ser, não existe uma fronteira biológica absoluta entre “seguro” e “perigoso”. O risco cardiovascular associado à “tensão alta” aumenta progressivamente. Além disso, a literatura indica que uma redução de apenas 5 mmHg na pressão sistólica esteve associada a uma diminuição aproximada de 10% no risco relativo de eventos cardiovasculares graves. Fonte: Blood Pressure Lowering Treatment Trialists’ Collaboration, The Lancet, 2021.
Quais são os valores de referência da pressão arterial?
A classificação adotada pela DGS em 2026 e pela Sociedade Europeia de Cardiologia em 2024 simplificou as categorias anteriormente utilizadas:
| Categoria no consultório | Pressão sistólica | Pressão diastólica |
|---|---|---|
| Pressão arterial não elevada | < 120 mmHg | e < 70 mmHg |
| Pressão arterial elevada | 120–139 mmHg | e/ou 70–89 mmHg |
| Hipertensão arterial | ≥ 140 mmHg | e/ou ≥ 90 mmHg |
Quando a pressão sistólica e a pressão diastólica pertencem a categorias diferentes, considera-se a categoria mais elevada.
Os limiares variam consoante o local e o método de medição:
| Método de medição | Limiar compatível com hipertensão |
|---|---|
| Consultório ou gabinete clínico | ≥ 140/90 mmHg |
| Automedição no domicílio — AMPA | Média ≥ 135/85 mmHg |
| MAPA* durante o período diurno | Média ≥ 135/85 mmHg |
| MAPA durante o período noturno | Média ≥ 120/70 mmHg |
| MAPA durante 24 horas | Média ≥ 130/80 mmHg |
Estes valores devem ser interpretados por um profissional de saúde. O limiar usado para diagnosticar hipertensão não é necessariamente igual ao valor que se pretende atingir depois de iniciado o tratamento. [Fontes: DGS 2026 e ESC 2024].
*MAPA: Monitorização Ambulatória da Pressão Arterial
Quais são os sintomas da tensão alta?
A hipertensão arterial é uma doença silenciosa, e pode nunca chegar a manifestar sintomas. Além disso, indícios como dor de cabeça, tonturas, cansaço ou hemorragias nasais não são suficientes para diagnosticar a hipertensão arterial. Por isso, o mais correto é fazer medições da sua pressão arterial. Se for confirmada medicamente a existência de hipertensão, devem ser realizados outros exames para ajudar a entender a sua origem e as suas complicações. Além disso, exames adicionais podem ajudar a compreender o risco cardiovascular global.
A tensão alta pode ser fatal?
É possível ocorrer uma elevação súbita da pressão arterial. A gravidade deste tipo de episódios relaciona-se essencialmente com o grau da elevação da pressão arterial e com a rapidez da instalação, e não tanto com o valor absoluto da pressão arterial. Se esta elevação atingir valores iguais ou superiores a 180/110 mmHg, acompanhada de sinais de lesão aguda de órgãos pode constituir uma emergência hipertensiva e pode, sim, ser uma ameaça grave. Nessas situações, ligue de imediato para o 112. Mesmo sem sintomas, deve voltar a efetuar a medição após repouso e realizar uma avaliação com um profissional de saúde.
Uma pressão arterial igual ou superior a 180/110 mmHg acompanhada de sinais de lesão aguda de órgãos pode constituir uma emergência hipertensiva. Perante dor torácica, falta de ar intensa, sintomas de AVC, convulsões, confusão ou perda de consciência, deve ligar-se para o 112. Valores muito elevados, mesmo sem sintomas, devem ser novamente medidos após repouso e avaliados rapidamente por um profissional de saúde. [Fonte: ESC 2024].
Como medir corretamente a pressão arterial
Para reduzir erros de medição:
- Não fumar, beber café, ingerir outros estimulantes ou praticar exercício nos 30 minutos anteriores.
- Esvaziar a bexiga, se necessário.
- Permanecer sentado e em repouso durante pelo menos cinco minutos.
- Manter as costas apoiadas, os pés assentes no chão e as pernas descruzadas.
- Apoiar o braço à altura do coração.
- Utilizar um aparelho validado, preferencialmente com braçadeira colocada no braço e de tamanho adequado.
- Não colocar a braçadeira sobre a roupa.
- Efetuar mais do que uma medição, com um a dois minutos de intervalo.
No consultório, a DGS recomenda pelo menos três medições e o cálculo da média das duas últimas. Na primeira avaliação, a pressão deve ser medida nos dois braços. [Fontes: DGS 2026 e declaração científica sobre medição da pressão arterial].
Com que frequência se deve medir a pressão arterial?
A DGS recomenda que a pressão seja avaliada, pelo menos, de três em três anos em adultos com menos de 40 anos e anualmente a partir dos 40 anos. Pessoas com fatores de risco, pressão elevada ou tratamento anti-hipertensor necessitam de avaliações mais frequentes. Quem sofre de hipertensão arterial precisa de ir mais vezes ao médico e, nessas situações, um seguro de saúde pode fazer sentido.
Conclusão
A hipertensão arterial é muitas vezes assintomática e muitas vezes grave, mas pode ser controlada. Medir corretamente a pressão, confirmar o diagnóstico, avaliar o risco cardiovascular e cumprir o tratamento permite reduzir significativamente a probabilidade de AVC, enfarte, insuficiência cardíaca e doença renal.
Toda e qualquer situação de esclarecimentos relativamente às temáticas presentes neste artigo deverão ser solicitadas junto das entidades competentes ou de profissionais especializados. Na preparação deste documento, foram feitos todos os esforços para poder oferecer informação correta e clara. A Septor Seguros Unipessoal Lda não é responsável pelo resultado de quaisquer atos ou ações decididas ou tomadas unicamente com base na informação deste documento. A SEPTOR Seguros não pretende, através do presente documento, prestar aconselhamento médico, pelo que o cliente é encorajado a consultar profissionais, no intuito de obter o aconselhamento devido, para o seu caso em particular.
Referências:
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